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Marisa Matias

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Barroso planeia futuro beneficiando Washington e comprometendo a Europa PDF Versão para impressão
Sexta, 24 Maio 2013 14:34

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Por iniciativa de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia, a União Europeia poderá ser obrigada a importar transgénicos (OMG) e carnes com hormonas e aditivos químicos atualmente proibidas, na sequência de um grande acordo de comércio livre com os Estados Unidos

que pretende transformar na bandeira do seu mandato que termina em Novembro de 2014.

Em Bruxelas, diplomatas não escondem que um acordo deste tipo será esmagadoramente favorável aos Estados Unidos, salienta o diário francês Libération, obrigando a União Europeia a abdicar de grande parte das normas do seus tecidos jurídico, financeiro, sanitário, ambiental e cultural, entre outros. "A Europa tem quase tudo a perder e nada a ganhar", pelo que se justificam interrogações sobre os motivos que terão levado Durão Barroso a "fazer-nos tomar lugar num barco tão explosivo", declarou em Bruxelas um diplomata citado pelo Libération.
A Comissão Barroso considera que um grande mercado interno transatlântico no qual os bens e os serviços circulem livremente permitirá relançar o crescimento económico e proporcionar um acréscimo de 0,5 por cento ao PIB da União.
O lado norte-americano não esconde a satisfação com a perspetiva de negócio. A eliminação das tarifas alfandegárias entre as duas principais potências económicas mundiais "fará com que as exportações norte-americanas para a UE cresçam 17 por cento", considera Max Baucus, presidente da comissão de Finanças do Senado, que tem a tutela sobre o comércio.
"Penso que os europeus têm mais fome de um acordo do que nunca", declarou Barack Obama em 12 de Março", abrindo as portas ao início das negociações. "O que mudou", acrescentou, "é o reconhecimento através de toda a Europa de que existem dificuldades para encontrar uma receita de crescimento".
Nenhum país da União ousará opor-se às diligências iniciadas a solo pela Comissão, com receio de represálias norte-americanas, uma vez que os Estados Unidos têm por norma definir as suas práticas como as "boas práticas" em relações internacionais, diz-se em Bruxelas. Nem a França "estará em condições de bloquear" esse acordo, reconhece-se no governo de Paris, segundo o Libération. "A França está isolada", no caso de pretender opor-se, antecipou-se o comissário do Comércio, Karel de Gucht.
A ideia norte-americana perante estas negociações vai muito além de uma harmonização transatlântica", salienta o jornal francês. Segundo Bruce Stokes, do German Marshall Fund, "trata-se de assegurar que a versão ocidental do capitalismo continue a ser a norma mundial, e não o capitalismo de estado chinês".
Por isso, salienta o Libération, Estados Unidos querem tirar o máximo deste eventual acordo, a começar pela eliminação das normas sanitárias e fitossanitárias, associadas à defesa da saúde pública, que vigoram na UE e travam a importação de produtos alimentares norte-americanos manipulados.
"Os produtos dos rancheiros e agricultores dos Estados Unidos são os melhores do mundo", alega Max Baucus. Demetrios Marantis, o responsável norte-americano pelo comércio, afirma que os produtos agrícolas e pecuários dos Estados Unidos "respeitam os padrões científicos internacionais", contrapondo-os aos critérios da União Europeia, que considera "não científicos".
À luz desta argumentação, a União Europeia prepara-se para suprimir normas que controlam, por exemplo, a importação de organismos geneticamente modificados ou transgénicos (OMG), carne de vaca com hormonas, frangos banhados em clorina ou carne de porco adicionado com ratopamina, hormona de crescimento que cientistas consideram tóxica para os sistemas cardiovascular, músculo-esquelético, reprodutor e imunitário no género humano. "Além de ser um velho confidente dos americanos, Barroso é também uma figura de confiança da todo-poderosa Monsanto, o gigante dos transgénicos", reconhece-se nos bastidores da Comissão Europeia.
Do lado norte-americano considera-se também que o Congresso travará o mais possível a abertura de setores como os produtos financeiros ou o transporte marítimo, que serão usados como moedas de troca para fazer ceder a União Europeia, "em posição de fraqueza", frase que se repete sem restrições em Washington. Além disso, enquanto na União Europeia a aplicação do eventual acordo será obrigatória para todos os Estados membros, isso não acontece nos Estados Unidos em relação aos Estados federados, que têm a tutela sobre mercados públicos e serviços, e às agências independentes.
Que faz então com que Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, aposte num acordo que será generosamente favorável aos Estados Unidos?
O Libération tenta responder. "Por razões de ambição pessoal", escreve citando um diplomata em Bruxelas. "Quer o acordo seja ou não uma realidade", acrescenta, "ele mostra aos Estados Unidos que é um fiel aliado com o qual pode contar, ele que acolheu a cimeira dos Açores em Março de 2003 durante a qual Bush declarou a guerra ao Iraque, pelo poderá esperar uma justa recompensa".
Sobre essas eventuais "recompensas", o jornal francês cita fontes de Lisboa: Barroso aspira a ser secretário geral da ONU ou da NATO. As últimas peças que o ainda presidente da Comissão Europeia mexeu com esses objetivos foi a colocação nos Estados Unidos de dois dos seus "muito próximos": Nuno Brito, embaixador de Portugal em Washington e Álvaro Mendonça e Moura, na ONU.